[LIVRO] Entrevista com o Vampiro


Entrevista com o Vampiro
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Páginas: 334
Onde comprar: AmazonSubmarino  
 Entrevista com o Vampiro, o já clássico livro de Anne Rice, traça o painel de um mundo habitado por seres para quem paixões dilacerantes, mecanismos cruéis de dependência e banhos de sangue são a regra, nunca a exceção. O romance de Anne Rice encontrou em Clarice Lispector uma tradutora à altura. Intérprete sensível, Clarice é uma razão a mais para ler essa narrativa vampiresca em que a fantasia está solta, mas a realidade espreita por trás do gótico, do terror e do rasgadamente romântico.



Já disse em algumas resenhas aqui do blog que sou apaixonada por histórias de vampiros. Posso dizer que essa paixão começou quando eu tinha por volta de 10/11 anos e assisti pela primeira vez (de milhares que vieram em seguida! Hehehe) o filme Entrevista com o Vampiro, estrelado por Brad Pitt (Louis), Tom Cruise (Lestat) e Antonio Banderas (Armand); na época, eu nem imaginava que o filme era adaptação de uma obra literária. Anos depois, comecei a pesquisar sobre histórias "vampirescas" e acabei lendo outros livros da Anne Rice - "Vittorio, o Vampiro" foi o primeiro, e é sensacional - antes de me aventurar pelas crônicas, que inclusive li na ordem errada e, por esse motivo, resolvi ler TUDO DE NOVO recentemente.
 
Armand, Louis e Lestat no filme.
   Pra quem não conhece, Anne Rice é a precursora dessas histórias de vampiros modernas. Seus personagens e tramas serviram de inspiração para diversas outras obras, tais como a saga Crepúsculo, Diários de um Vampiro e até mesmo a série True Blood. Porém, não se enganem, os vampiros de Anne Rice não tem nada da pegada adolescente que fez tanto sucesso recentemente (não que isso seja um problema, é só um estilo diferente). A ambientação é magistralmente gótica, muito sombria e seus personagens são super profundos. São vampiros questionadores de sua condição imortal, cheios de angústias e paixões humanas, muito sensuais e, em sua maioria, bissexuais.
 "As pessoas que param de crer em Deus ou na bondade continuam a acreditar no diabo. Não sei por quê. O mal é sempre possível. E a bondade é eternamente difícil. - Pág. 19 -
Louis e Cláudia
  Louis de Pointe du Lac tornou-se vampiro no ano de 1791, aos 24 anos de idade, na cidade de Nova Orleans. Foi transformado, ou "nasceu para a morte" por Lestat de Lioncourt - sedutor e impetuoso, Lestat encantou-se com a vulnerabilidade e tendência a autodestruição de Louis, que administrava a fazenda de sua família e havia perdido um irmão recentemente. Os dois viveram por muitas décadas juntos, anos turbulentos que Lestat tentou acalmar criando uma criança vampiro que seria "filha" de ambos. Cláudia entrou para a família com 5 anos de idade, e seu corpo infantil aprisionava uma mente de mulher adulta. 

Outro personagem marcante é Armand, que se diz o vampiro mais antigo já conhecido e lidera o Teatro dos Vampiros, uma espécie de irmandade de vampiros que encena peças de teatro para a sociedade francesa onde fingem ser exatamente o que são - vampiros que fingem ser humanos que fingem ser vampiros. Essa irmandade é regida por várias leis que determinam o que um vampiro pode ou não fazer e, caso uma dessas leis seja desrespeitada, a punição é impiedosa. Armand é uma figura forte e ficamos curiosos para conhecer mais sobre ele, o que felizmente acontece em outro volume das crônicas.

Lestat
Por volta de 200 anos após tornar-se vampiro, Louis resolve contar sua história para um jovem repórter que vive em busca de relatos intrigantes e o livro alterna momentos de lembranças de Louis com diálogos entre ele e o repórter. Durante a história, percebemos que Louis é bastante sensível e não se conforma com a perda de sua humanidade, culpando Lestat por tê-lo tornado um "monstro" que se alimenta de vidas humanas - preparem-se para muito "mimimi" existencialista (no bom sentido).

  Apesar de todas as críticas que recebe ao longo da narrativa, Lestat é um dos meus personagens favoritos de toda a saga. Como aqui temos um vislumbre do personagem sobre a perspectiva de Louis e toda sua amargura, conhecemos um Lestat egoísta, manipulador, letal e extremamente selvagem que esconde sua sede de sangue com modos refinados e encantadores. Aparentemente, Lestat orgulha-se de ser um assassino imortal e sente prazer na caça, em brincar com vidas humanas inocentes.
 "O mal é um ponto de vista. Somos imortais. E o que temos à nossa frente são os ricos festins que a consciência não pode julgar e que os homens mortais não podem conhecer sem culpa. Deus mata, assim como nós; indiscriminadamente. Ele toma o mais rico e o mais pobre, assim como nós, pois nenhuma criatura sob os céus é como nós, nenhuma se parece tanto com Ele quanto nós mesmos..." - Lestat, pág 93 -
  Entrevista com o Vampiro pode parecer um pouco cansativo algumas vezes, mas considero isso uma consequência da aura melancólica da própria história, e não necessariamente um defeito da obra. Se você gosta de vampiros e nunca leu os livros de Anne Rice, sugiro que leia esse e todos os outros das crônicas com muito carinho. A profundidade que a autora imprime a seus personagens nos permite refletir até mesmo sobre nossas próprias vidas, a natureza e a noção de bem e mal e muitas outras questões. Não quis me aprofundar muito na resenha até para não tirar a surpresa da leitura, mas fãs de vampiros não podem deixar esse livro passar!



  Você já leu esse livro ou assistiu o filme? Tem vontade de ler? Deixe seu comentário aí embaixo! Até a próxima.

* As FanArts usadas para ilustrar essa resenha foram retiradas do site Pinterest. Se você é autor de alguma delas, entre em contato para que eu dê os devidos créditos.

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